domingo, 24 de junho de 2012

NO EMBALO DA DANÇA

Quando obedece às batidas da música, o corpo se solta e a mente viaja para longe. Ao dançar, libertamos nossas emoções, melhoramos o condiciamento físico e ainda nos divertimos com os próprios tropeços. Vai ficar aí parada?
O casal de dançarinos Fred Astaire e Ginger Rogers flutuava pelos salões cenográficos de Hollywood. Em plena forma, aos 63 anos, o letão Mikhail Baryshnikov segue embasbacando plateias mundo afora com sua técnica impecável. Sim, a dança é mágica, mas não é privilégio de virtuoses dotados de silhuetas esguias. Qualquer pessoa pode calçar sapatilhas e descobrir quão prazeroso é se apossar do próprio corpo e movimentá-lo ao sabor da música.
As bailarinas sobrevoam nosso imaginário como plumas ao vento. No entanto, a suposta fragilidade de suas figuras mascara um trabalho físico intenso, que se desdobra em diversas frentes."A prática melhora a flexibilidade e a postura corporal, o condicionamento aeróbico aprimora a coordenação motora e o equilíbrio, e ainda auxilia na perda de peso", afirma a professora Milena Malzoni, proprietária da escola Milena Malzoni Dance Center, em São Paulo.
Apesar do físico ser bastante exigido na aula, dançar é muito mais do que um simples exercício. É alimento para a alma. "Quem dança precisa se entregar por completo, pois a atividade afeta corpo, mente e sentimento", diz o bailarino e coreógrafo J.C.Violla, dono do estúdio que leva  seu nome, em São Paulo. "Para as mulheres, é uma ótima maneira de resgatar a feminilidade", afirma Helô Gouvêa, sócia de Ana Diniz e Cláudia Pirani, diretoras do Estúdio Anacã Corpo e Movimento, em São Paulo.
Nesse embalo, garantem os entendidos, a auto estima atinge as alturas e a timidez segue a rota oposta. Não por acaso, depois de algumas aulas, é comum as adeptas passarem a emanar um brilho especial. "As alunas sentem-se mais sensuais e interessantes", diz Milena. Seja por obra da endorfina ou pela catarse acionada pela trilha sonora, o estresses e as preocupações viram pó nesse reduto dominado pelo encantamento. 
Não podemos esquecer que a prática ainda burila a memória e a concentração. Sem esses dois atributos, os passos que compõem uma coreografia jamais poderiam ser executados com graça e fluidez. Como dizem os especialistas, não bata repetir mecanicamente a sequência proposta. A emoção precisa aflorar, conferindo expressão aos movimentos. Mas, segundo o coreógrafo e educador corporal Ivaldo Bertazzo, fundador da Escola do Movimento, em São Paulo, antes de atingir esse estágio, a aluna deve trabalhar a consciência corporal. "É preciso, primeiro, desenvolver a percepção interna do movimento e, depois, a noção a noção espacial. A emoção vem como consequência", ele afirma. 
O melhor é que a auto-observação das funções motoras se estende para além da sala de aula. "As pessoas passam a perceber como se mantêm sentadas, como organizam gestos corriqueiros, entram e saem do carro com mais facilidade", diz. E, o mais importante, "ganham disposição para vencer o enrijecimento corporal desencadeado pelo envelhecimento". 
A vida social é outro aspecto contemplado pela dança. Na aula, os participantes interagem, divertem-se uns com os outros, e, assim, fazem novas amizades. "Trata-se de uma oportunidade de estar em contato com o outro e com culturas diferentes", afirma Milena. "Além de lúdicas, as aulas em grupo estimulam o companheirismo", diz Helô.
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A julgar pela variedade de estilos que agitam o mundo das sapatilhas, nessa tribo não há espaço para rigidez e desânimo. "Cada modalidade trabalha posturas físicas e sentimentos específicos", afirma Violla. Segundo ele, a valsa enfatiza oscilações de altura; o tango, torções do tronco. A rumba pede movimentação intensa da bacia, ao passo que o elegante  foxtrote se vale de posturas muito alongadas. Passear por todo esse repertório, dizem os praticantes, é puro deleite.
Todas vocês estão convidada para o grande baile. Basta encontrar seu lugar na pista. "Essa é uma das atividades mais democráticas que existem. Não impõe restrições de idade ou biotipo", diz Milena. Claro que alguns possuem mais molejo do que outros. No entanto, o maior empecilho observado pelos professores não é a falta de ginga. Com paciência e dedicação, essa dificuldade inicial pode ser superada. O problema maior é a autocrítica exacerbada. O medo de se expor ao ridículo. "O mais importante é querer dançar e ter bom humor para não transformar algo que deveria ser prazeroso em um tormento", afirma Ivaldo. 
Não tente se esconder atrás do álibi de que é desajeitada ou não possui coordenação motora. Os professores não levarão em conta nenhuma dessas desculpas usuais. "De resto, qualquer um pode aprender", diz Helô. Para o público mais contido, ela criou a aula batizada de Walk Dance, nada mais que uma"alfabetização rítmica". "O objetivo é que as alunas reconheçam as possibilidades de seu corpo: giros, exercícios de lateralidade, marcação do compasso da música", diz, e acrescenta, enfática: "Repetimos os passos inúmeras vezes até serem assimilados". Para que seus alunos acertem a contagem, Ivaldo Bertazzo os convida a contar a música enquanto dançam. "Dessa forma, identificam com mais facilidade a maneira como o passo está subdividido, dando vibração para o corpo. Assim, conseguem internalizar o movimento". 
Quem enfrenta seus fantasmas repressores e, lá pelas tantas, se descobre um ser dançante, vibra com a constatação de ter ultrapassado um bloqueio. Por tabela, dizem os especialistas, essa experiência de superação faz com que encarem as dificuldades do dia a dia com mais confiança. "Dançar, como tudo na vida, é uma questão de reino, repetição, persistência", afirma Helô. "Quanto mais executamos os movimentos mais naturais eles ficam", diz Milena. Mas, até que o corpo se expresse com desenvoltura, é preciso ter paciência e humildade. "Errar faz parte do processo de aprendizagem. O aluno pode aproveitar essas oportunidades para rir de si mesmo", diz Violla.
Tanto alto-astral só poderia gerar bons frutos. As professoras se comovem ao ouvir de suas alunas que a vida está mais colorida desde que se tornaram bailarinas amadoras. "Por mais complicado que tenha sido o dia delas, saem da escola felizes e sorridentes", afirma Milena. Os maridos comemoram. "Algumas revelam que o parceiro sente que estão mais relaxadas e bem-humoradas", diz Helô. Não subestime o poder da dança!
Texto: Bons Fluidos - Fevereiro de 2011
Aproveite esse embalo e venha fazer aula de dança na UATI, acredite eu estou adorando.

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